Percebi meu engano
e a verdade caiu em mim como uma pedra.
Quedei-me imóvel de assombro
e ferida:
Como não pude ver
que você não pode ser
o grande amor da minha vida?
Mas não tenho rancor.
Sempre fui enganada
- por mim mesma,
o que é pior -
Sozinha me apaixono,
abano o rabo
abandono convicções
e me dano.
Como um cão de rua
vou atrás de quem passeia
e me atropelo.
Cão de muitos donos
sem correia, sem nome.
Ninguém percebe que tenho fome.
30 junho 2007
Vira-latas
28 junho 2007
Ao Vivo
Vou ter seu amor platônico
e seus versos
nas preliminares do sexo.
Mas olha:
tanto tesão perde o verso,
tanta prosa, perde a paixão.
E quero me derreter
nas suas mãos.
Irresoluto
Vou ao teu encontro lúcido, irredutível.
Repito comigo a decisão irrevogável.:
- Vai ser mais uma lembrança, uma impossibilidade.
Esperar tudo ou mesmo algo é mesmo muita ingenuidade.
Complicada, proibida, vespeiro, cumbuca:
Sou macaco velho, não vou nem te tocar.
Se não usar tudo que aprendi...
(as coisas que esqueci agora que te vi!)
Ondulante cilada caminha para mim.
Tua boca semi aberta agora
toda a minha retórica leva logo embora.
- E os braços
envolvendo meu pescoço
a me jugular -.
O beijo desferido, o derradeiro golpe:
Língua dolosa,
vai sugar- me pra dentro de ti.
Dissoluto, vencido enfim,
encaixo teu corpo no meu
e deixo a correnteza me levar.
De nada valeu minha lógica:
Sou teu.
12 junho 2007
Descaso
Não peço mais que venhas:
fica aí, não faz mais nada.
Deixa morrer o que pensas que é broto
mas é já árvore enraizada.
