15 Maio 2012

Algo

Isso,
inquieto e vago
que me apressou o peito,
absorto em descompasso.

Esse absurdo abstrato
que, absolutamente inominado,
veio do inferno
ou espaço.

Absteve-se de disfarces,
essa visita não anunciada e sigilosa,
ingente apóstolo de desastres.

Ele causou vício e rebuliço
e súbito,

não se explica e vai embora,
deixando-me o ônus da catástrofe.

Sopa de Letrinhas 30 dezembro 2011

08 Maio 2012

Bola Fora

Se o sofá da sala falasse
iria na certa dizer
quantos jogos na tv
fiz você perder.

Deitava ao seu lado
- cabelo molhado
de banho recém tomado -
no meu negligè.

Assim negligente, distraída
roçava sem querer
o derrière
em você
- mulher que convida,
fingindo que não quer -

Se antes não estivesse a fim,
mudava a prioridade,

e era 2 x 1 pra mim.

Mas você vacilou.
Joguei o sofá e a tv fora, fui embora.

Eu avisei: não me subestime

Por sua culpa, benzinho
há algum tempo
não torço mais pro seu time.

03 Maio 2012

Alexandrino

O pau dele,

não tem nada de haicai
− que é muito mignon –

Quando senti o volume da cueca,
deu frisson, pensei “ai!”
e pedi KY.

Caros colegas:


É bom saber que,
já na casa dos quarenta,
ainda sou musa
de sonhos molhados,
de poeta

e de punheta.

02 Maio 2012

Teimosia

Fico,
para vencer de vez
esse eterno duelo
entre a minha mão
e o pelo
que te protege

o peito.

Sou paciente.

Tomara um dia
eu entre
-vou arrancar
sem pena
o músculo
de gelo
e cozinhar
numa terrina
fina,
com macarrão
al dente -

Soldadinho de Chumbo

Toma cuidado
com essa prenda
de saia e salto.

Ela usava sapatilha de ponta,
mas pulou
da caixinha de música

e virou jagunça.

Esse tipo encrenqueiro de moça
tem, entre os fru-frus e as rendas,
sete meia cinco
facadas, berettas,

e é mais brava que onça.

Toma cuidado, soldado,
que essa prenda de saia e salto
é sobressalto.

Sarau Camarilha, 2010

27 Abril 2012

Dirty Talk

Farei uns poemas
com paus e boquetes,

e neles meu sexo
se chamará buceta.

Perderei as rimas
e as sutilezas

(trancarei tudo dentro de uma gaveta)

.


26 Abril 2012

Arrêgo

Rua pequena de vilarejo...

e queria ser Marginal!


Mas, bem no começo,
tem uma igreja, um coreto,
um cortejo beato
e endereço certo.

Não tinha sequer um cortiço,
um corte no pulso,
um Cortázar,

um bêbado na coleira,
mascote do macaco do realejo.

Era uma não-poeta
sem trago
com um não-poema
sem beijo.

21 Abril 2012

30 Março 2012

Casa das Rosas - Quinta Poética 29 de março

Dia 29 de março aconteceu o lançamento de


"EN LA OTRA ORILLA DEL SILENCIO", UNAM, 2012
POESÍA CONTEMPORÁNEA BRASILEÑA







Compilación: José Geraldo Neres


Traducción y Edición: Fernando Reyes





AUTORES: JORGE PIEIRO R. LEONTINO FILHO EDSON BUENO DE CAMARGO NEY FERRAZ PAIVA PAULO KAUIM WILMAR SILVA FLÁVIA PEREZ JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO ARTHUR CECIM DENISON MENDES MARCO VASQUES KARINA JUCÁ KATYUSCIA CARVALHO DOMINGOS GUIMARAENS MÁRCIO SIMÕES AURORA LEONARDOS BEATRIZ BAJO RÁDI OLIVEIRA MARIANO MAROVATTO DHEYNE DE SOUZA AUGUSTO DE GUIMARAENS CAVALCANTI AFONSO HENRIQUE RODRIGUES ALVES