26 março 2020

Plague



Seus poemas:
centopéias subindo em minhas pernas
quando os leio.

Seus poemas me ateiam
e a palavra-taturana dói
tamborilando os pés de azeite quente
em meus seios.

Seus poemas:
caranguejos caminhando pelas minhas costas,
soletrando vértebras
entre suas patas,
pinicando medo sob suas pinças,

seus poemas mordem
minhas omoplatas...

                          Seus poemas-praga:
                devastação que não se aplaca
                             nem com o gelo
                dos meus dedos de queimada

22 março 2020

Obsediada

Obsediada

Tenho labirintos sombrios
onde muitos pereceram.
Cadáveres falam comigo
fantasmas que não morreram.

Pareço domesticada
mas dentro há florestas
repletas de animais selvagens,
bailes, festas
porres e sacanagens.

Minha alma sem pena
tem inúmeras portas e janelas
vais descobrir 
que não conheces todas elas.

Flá Perez 2008

05 março 2020