18 outubro 2019
28 dezembro 2013
28 maio 2013
Modos
Na mesa e no meio das gentes,
ele é meu cavalheiro.
Puxa a cadeira pra eu sentar,
enche meu copo de vinho
(só até o meio),
abre a porta pra eu passar primeiro,
ajoelha, num rasgamento
beija-me de leve a mãos,
e pede-me em casamento
(finjo que penso, mas depois aceito).
Nem preciso pedir:
“Poupe-me e me comporte,
comporte-se conforme os preceitos
da princesa e seu consorte”,
pois na frente de todos,
me canoniza,
e abotoa até o último botão da camisa.
Mas depois,
sozinhos na cama
meu bem me sodomiza.
21 maio 2013
Não Culpem Nelson
Eu sou um INA 38
na sua gaveta
embrulhado em lingerie
de renda preta.
Sou puro sangue e desatino:
Nelson Rodigues
filmado por Tarantino.
26 março 2013
Mme. Frankenstein
Fui feita a seu gosto,
do jeito que gosto:
dionisíaca e nua,
encoberta por tules e nuvens,
verdadeiro paradoxo.
Em abraços de polvo lhe envolvo
e peço:
— Me leva pra cama.
E gozo e choro e sorvo.
No entanto, não me contenho.
Escorrega em seu braços
a pele de mar revolto,
cheias de escamas, que tenho.
Mas sua flecha
me acerta em plena fuga
e a faca, mesmo às cegas
disseca a fundo.
Corta, desarticula
metrifica, vasculha e conserta.
Depois cerze
e passa a língua nas costuras.
Sela e cicatriza, meu bem
sua nova criatura.
12 março 2013
Visitação
A meus pés ajoelhado
um pobre-diabo
minh'alma suplica e conjura.
Lambe minhas pernas,
sobe, me desfalece,
enquanto por todas as frestas
procura.
Digo a ele, em meio a gemidos:
— Pobre-Diabo, foste promovido.
Dou-te essa coisa que pulsa
um palmo acima do umbigo.
— Isto já me pertence, só tu não sabias.
Não lutes comigo.
E vasculhou os infernos
entre minhas coxas
enquanto sorria.
Via, sei que via minh'alma
mas não mais pedia.






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