bebe vodka
com formicida
- nem assim morre -
Meu querer
perfuro - cortante
grita:
- Segue nelson - rodrigueante!
E a Musa pede:
- Siga...
antes que eu a cegue.
Obedeço, indecisa,
antes que o sangue
seque.
Flá Perez
Talvez lhe dê um pouco de trabalho
essa mulher que anda na rua
e todos olham.
Vai lhe tirar, quem sabe,
o sono
vê-la sorrir, adormecida,
sabê-la ao Deus dará,
sem seu olhar de dono.
Mas ela vale a pena.
É um cataclisma
de partir Pangéia ao meio,
revirar o eixo da Terra,
mudar rota de estrelas
e das onze esferas.
É um evento de extinção em massa,
essa loira falsa,
com magma de morena.

Pode gritar madrugadas de dor,
mas poupe-nos dessas olheiras santas.
Assim nosso coração não sente.



"As pernas da sua poesia___
A poesia de Flávia Perez tem corpo, articula e anda.
É para ser lida por mulheres que são.
Que amam. Que odeiam e abandonam.
É poesia madura, literatura do amor que nasce e morre durante o sexo."
(Neusa Doretto - Atriz e Dramaturga/blogueira:http://poesiarapida.blogspot.com/)
Você estanca o corte, tampa a ferida,
(da maneira que pode)
e um dia
essa defesa cai,
a mão afrouxa, deixa de apertar,
(porque uma outra mão convida)
então
nada contém a correnteza forte
- ela sai desabrida,
tão raivosa,
correndo o tempo perdido por ser escondida -
o remédio é afogar-se:
nadar contra essa vontade toda
não pode ser considerado Vida.
