sem qualquer dano.
Avisar antes
faz parte do meu plano.

Flá Perez

Pode gritar madrugadas de dor,
mas poupe-nos dessas olheiras santas.
Assim nosso coração não sente.



"As pernas da sua poesia___
A poesia de Flávia Perez tem corpo, articula e anda.
É para ser lida por mulheres que são.
Que amam. Que odeiam e abandonam.
É poesia madura, literatura do amor que nasce e morre durante o sexo."
(Neusa Doretto - Atriz e Dramaturga/blogueira:http://poesiarapida.blogspot.com/)
Você estanca o corte, tampa a ferida,
(da maneira que pode)
e um dia
essa defesa cai,
a mão afrouxa, deixa de apertar,
(porque uma outra mão convida)
então
nada contém a correnteza forte
- ela sai desabrida,
tão raivosa,
correndo o tempo perdido por ser escondida -
o remédio é afogar-se:
nadar contra essa vontade toda
não pode ser considerado Vida.

Tem sempre um porém,
algum preço,
ou algo que entrave,
qualquer sacrifício escondido na manga,
ou por baixo dos panos,
cheiro quase imperceptível de podre
em todo presente
do meu espartano.
Ele faz uns de repentes e depois parece que até repensa
ou se arrepende.
Então agora eu finjo nem mais escutar:
se o telefone toca, não ligo de volta,
quando vem recado, fica sem resposta.
Eu sei qual é o motor,
eu sei o motivo, o sensor que o move.
Eu sei.
Dizem que a amor dado não se olha os dentes,
mas é caro e podre o preço a pagar
quando chega ao fim.
Dessa vez
a conta do erro vai ser pendurada
Dessa vez
o saldo da urgência não sobra pra mim.

