30 julho 2012

Esparta

A lágrima do macho forte
derramada diante da mulher
que lambe das suas costas toda a dor da guerra
deveria mesmo ser colhida em frascos.

Nunca chorar na frente da amada
é para os homens fracos.


Poder

Sei lá se é mandinga
(e a gente recita tão baixo que nem bichos ouvem)
sei lá se é depois
o passar bem de leve os cabelos compridos,
e as unhas
nas costas largas do rei,

mas desde cleópatra -seu césar e seu marco antônio-
eu sei:

se os grandes guerreiros caíram
você cai também.


16 julho 2012

Neusa Doretto fala sobre o "Poesia se Escreve com T"


"As pernas da sua poesia___
A poesia de Flávia Perez tem corpo, articula e anda.
É para ser lida por mulheres que são.
Que amam. Que odeiam e abandonam.
É poesia madura, literatura do amor que nasce e morre durante o sexo."
(Neusa Doretto - Atriz e Dramaturga/blogueira:http://poesiarapida.blogspot.com/)

19 junho 2012

Rachadura

Você estanca o corte, tampa a ferida,
(da maneira que pode)
e um dia
essa defesa cai,
a mão afrouxa, deixa de apertar,
(porque uma outra mão convida)
então
nada contém a correnteza forte
- ela sai desabrida,
tão raivosa,
correndo o tempo perdido por ser escondida -

o remédio é afogar-se:
nadar contra essa vontade toda
não pode ser considerado Vida.

17 junho 2012

Troiana

Tem sempre um porém,
algum preço,
ou algo que entrave,
qualquer sacrifício escondido na manga,
ou por baixo dos panos,
cheiro quase imperceptível de podre
em todo presente
do meu espartano.

16 junho 2012

Leoa ou Gazela

Todo Dia é Dia Dela

14 junho 2012

Silêncio

Ele faz uns de repentes e depois parece que até repensa
ou se arrepende.
Então agora eu finjo nem mais escutar:
se o telefone toca, não ligo de volta,
quando vem recado, fica sem resposta.
Eu sei qual é o motor,
eu sei o motivo, o sensor que o move.
Eu sei.
Dizem que a amor dado não se olha os dentes,
mas é caro e podre o preço a pagar
quando chega ao fim.
Dessa vez
a conta do erro vai ser pendurada
Dessa vez
o saldo da urgência não sobra pra mim.


12 junho 2012

Castelã

Se há um raro prazer esperando
no outro lado do muro.
Eu escalo.
E a pedra se cala, e com ela a hera o musgo
-todos me deixam passar-
Serei a Senhora e a escrava do lado de lá.
Mas se o muro não é:
se é um cofre de aço tão liso
e se dentro
nem tem nada daquilo
nem disso,

um deserto.

Eu desisto.

Feras morrem de tanto esperar.
Feras morrem
do lado de cá.
Eu só existo.
meu livro.

10 junho 2012

Timmig

O amor chegou antes da hora

e cansou de esperar.

Foi embora.


09 junho 2012

Lançamento em Campinas

Da antologia BAR DO ESCRITOR - TERCEIRA DOSE