"As pernas da sua poesia___
A poesia de Flávia Perez tem corpo, articula e anda.
É para ser lida por mulheres que são.
Que amam. Que odeiam e abandonam.
É poesia madura, literatura do amor que nasce e morre durante o sexo."
(Neusa Doretto - Atriz e Dramaturga/blogueira:http://poesiarapida.blogspot.com/)
16 julho 2012
Neusa Doretto fala sobre o "Poesia se Escreve com T"
19 junho 2012
Rachadura
Você estanca o corte, tampa a ferida,
(da maneira que pode)
e um dia
essa defesa cai,
a mão afrouxa, deixa de apertar,
(porque uma outra mão convida)
então
nada contém a correnteza forte
- ela sai desabrida,
tão raivosa,
correndo o tempo perdido por ser escondida -
o remédio é afogar-se:
nadar contra essa vontade toda
não pode ser considerado Vida.

17 junho 2012
Troiana
Tem sempre um porém,
algum preço,
ou algo que entrave,
qualquer sacrifício escondido na manga,
ou por baixo dos panos,
cheiro quase imperceptível de podre
em todo presente
do meu espartano.
16 junho 2012
14 junho 2012
Silêncio
Ele faz uns de repentes e depois parece que até repensa
ou se arrepende.
Então agora eu finjo nem mais escutar:
se o telefone toca, não ligo de volta,
quando vem recado, fica sem resposta.
Eu sei qual é o motor,
eu sei o motivo, o sensor que o move.
Eu sei.
Dizem que a amor dado não se olha os dentes,
mas é caro e podre o preço a pagar
quando chega ao fim.
Dessa vez
a conta do erro vai ser pendurada
Dessa vez
o saldo da urgência não sobra pra mim.

12 junho 2012
Castelã
no outro lado do muro.
Eu escalo.
E a pedra se cala, e com ela a hera o musgo
-todos me deixam passar-
Serei a Senhora e a escrava do lado de lá.
Mas se o muro não é:
se é um cofre de aço tão liso
e se dentro
nem tem nada daquilo
nem disso,
um deserto.
Eu desisto.
Feras morrem de tanto esperar.
Feras morrem
do lado de cá.






