14 junho 2012

Silêncio

Ele faz uns de repentes e depois parece que até repensa
ou se arrepende.
Então agora eu finjo nem mais escutar:
se o telefone toca, não ligo de volta,
quando vem recado, fica sem resposta.
Eu sei qual é o motor,
eu sei o motivo, o sensor que o move.
Eu sei.
Dizem que a amor dado não se olha os dentes,
mas é caro e podre o preço a pagar
quando chega ao fim.
Dessa vez
a conta do erro vai ser pendurada
Dessa vez
o saldo da urgência não sobra pra mim.


12 junho 2012

Castelã

Se há um raro prazer esperando
no outro lado do muro.
Eu escalo.
E a pedra se cala, e com ela a hera o musgo
-todos me deixam passar-
Serei a Senhora e a escrava do lado de lá.
Mas se o muro não é:
se é um cofre de aço tão liso
e se dentro
nem tem nada daquilo
nem disso,

um deserto.

Eu desisto.

Feras morrem de tanto esperar.
Feras morrem
do lado de cá.
Eu só existo.
meu livro.

10 junho 2012

Timmig

O amor chegou antes da hora

e cansou de esperar.

Foi embora.


09 junho 2012

Lançamento em Campinas

Da antologia BAR DO ESCRITOR - TERCEIRA DOSE


08 junho 2012

Tipo assim

O meu coração

-por tantos motivos-
agora é AB+

07 junho 2012

Caros colegas:


É bom saber que,
já na casa dos quarenta,
ainda sou musa
de sonhos molhados,
de poeta

e de punheta.

04 junho 2012

Leoa ou Gazela

Leões também apreciam...

Insidiosa

Goteja entre dentes,
insinuada, essa manobra:
sarar com o soro
demora
se a gente não tem

sangue de cobra.

15 maio 2012

Algo

Isso,
inquieto e vago
que me apressou o peito,
absorto em descompasso.

Esse absurdo abstrato
que, absolutamente inominado,
veio do inferno
ou espaço.

Absteve-se de disfarces,
essa visita não anunciada e sigilosa,
ingente apóstolo de desastres.

Ele causou vício e rebuliço
e súbito,

não se explica e vai embora,
deixando-me o ônus da catástrofe.

Sopa de Letrinhas 30 dezembro 2011