28 novembro 2011

Separação de Corpos

Eu, camiseta, calcinha
e meia amarela,
Le(n)do Ivo
- destesto novelas -

Ele, cueca samba canção,

apenas um pênis
que não mais me apetece
e assiste ESPN.

21 novembro 2011

Érebo, 3 horas da tarde

Esses Páris e Orfeus
não chegam ao fim de nada.
E os que chegam, como Teseu
logo depois se vão embora.

Não sou Helena ou Eurídice
já lhe disse!
Prefiro ser essa Revolta
(deusa brasileira da cor da Caipora)

Faço feitiços, tomo aviões, me desfaço
e se ele não me quiser
digo que me mato, me vingo
morro e renasço.

Assim sou uma dorzinha lá no fundo
que não passa.

Arrume uma Ariadne, uma coitada
tenha os filhos que eu não posso
e mesmo assim não me esqueça
(pro meu antídoto
só eu tenho a doença)

e saiba, não volto
nem que de joelhos
me peça.

Portal do Poeta Brasileiro

20 novembro 2011

Senhor que desgoverna

Fez comigo como nenhum outro:
lanhou meus flancos
bateu em meu rosto
chamou-me sua puta
e coisa e tal

Deixou-me
o gosto bandido
do beijo marginal.

Vingo-me.

Deixo de lembrança
o que você mais gosta:
meu cheiro, meu sangue
e a imagem da curva das minhas costas.

suas promessas
estão na cabeceira.
Não preciso delas,
já sou sua mulher

Levo comigo
seu sêmen e seu sossêgo.
Esses
não vou devolver.

Sopa de Letrinhas, outubro 2011

19 novembro 2011

Hedonista

Foi mesmo pra isso que vim:
a propósito do prazer

Porque
enquanto você me der,
fico e aceito ser sua mulher.

Fala só o que quero ouvir
senão
peço uma segunda opinião

e dou
ouvidos,
subo
a saia,
cruzo
as pernas,
aguço
os sentidos,
lanço no ar
o cheiro
de caça

e fico aberta
à temporada
de mata.

Sopa de Letrinhas - outubro 2011

18 novembro 2011

Ultimato

Vem cá benzinho,
para de pensar se sua amada merece.

Ou dá ou desce!

As deusas não se negam
aos seres humanos.

Não vai gastar de usar
e mil podem aproveitar,
antes que caia o pano.

Escuta bem
e decide:

Ou te dou,
ou me dano...

Sopa de Letrinhas - setembro 2011

Espiral

Meu passado
ora me chicoteia as costas
e sangro,
lanhada e roxa

ora me morde a nuca
docemente
e me encoxa.

Clube da Música

14 novembro 2011

Flá Blended


Terceira Dose do Bar do Escritor

Antologia

26 outubro 2011

Confissão

Sou a mulher fanática de um incendiário.
Crescem em mim sua rebeliões diárias.

Todas em segredo, entre silêncios,
subterrâneas,
para que não as tomem
seu adversários.


Sou a mulher fecunda de um incendiário.
Templo das piores inquietações e perplexidades.

Sexo encharcado, ventre que o acolhe,
para que vingue nosso filho,
o Imaginário.

Sou a mulher sem culpa de um incendiário.
Queimo palavras na lingua umedecida,
transformo em chamas cântaros de frases.

Um corpo necessário
a uma alma sagitário.

07 outubro 2011

Exilada de Nêmesis ou E.L.E.

Ela tem uns olhos desbocados,
onde nadam peixes de outras eras.
Traz neles medos cambrianos
e a ambição desenfreada das moneras.

Esse abismo recoberto de folhagens,
quando abre em armadilha
para o tempo, os bandolins, as aves,
num silêncio precedente de desastres.

Essa força incontrolável,
quando encontra um alvo
a gente logo sente o vórtice,
anticiclone fundo e sem barulho.

É como um deus imenso
tomando fôlego antes do mergulho.