18 novembro 2011

Espiral

Meu passado
ora me chicoteia as costas
e sangro,
lanhada e roxa

ora me morde a nuca
docemente
e me encoxa.

Clube da Música

14 novembro 2011

Flá Blended


Terceira Dose do Bar do Escritor

Antologia

26 outubro 2011

Confissão

Sou a mulher fanática de um incendiário.
Crescem em mim sua rebeliões diárias.

Todas em segredo, entre silêncios,
subterrâneas,
para que não as tomem
seu adversários.


Sou a mulher fecunda de um incendiário.
Templo das piores inquietações e perplexidades.

Sexo encharcado, ventre que o acolhe,
para que vingue nosso filho,
o Imaginário.

Sou a mulher sem culpa de um incendiário.
Queimo palavras na lingua umedecida,
transformo em chamas cântaros de frases.

Um corpo necessário
a uma alma sagitário.

07 outubro 2011

Exilada de Nêmesis ou E.L.E.

Ela tem uns olhos desbocados,
onde nadam peixes de outras eras.
Traz neles medos cambrianos
e a ambição desenfreada das moneras.

Esse abismo recoberto de folhagens,
quando abre em armadilha
para o tempo, os bandolins, as aves,
num silêncio precedente de desastres.

Essa força incontrolável,
quando encontra um alvo
a gente logo sente o vórtice,
anticiclone fundo e sem barulho.

É como um deus imenso
tomando fôlego antes do mergulho.


19 setembro 2011

Apostas Fechadas

Se pra lucrar nesse jogo do amor é preciso blefar,
ter curingas nas mangas,
Straight Flushes e Quadras,

então passo,
e nem faço questão
de mostrar o que tenho nas mãos.

- e olha: tem hora em que as cartas são até boas pacas -

Vou trocar minhas fichas no caixa.

Voo Cultural

16 setembro 2011

31 agosto 2011

Prancha

Tá fazendo água,
ex - amado!

Ninguém "entrou aqui de gaiato"
e hoje, abandono o barco
- pode me chamar de rato -

Não se amarre ao leme
só pra se fingir de mártir:
seja mesmo homem, capitão,
não marinheiro, imediato.

Essa artimanha de menino
já não cola mais:
tenho manha de sereia
e gente me esperando no cais.

28 agosto 2011

Radical

Hoje não tem
fossa e bolero
nem lentas sílabas
de drama e espera.

Sofrer? Não, hoje não quero!

Que venha a dor aguda
de ser afinada
nesse corpo grave

e ao me jogar nas cordas
da sua guitarra,
que eu tenha a pele
toda recortada.

Vai me Fender, enfim,
no seu colo ávido
quando soar metálica
entrecortada
e trágica
entre seus dedos
mágicos.

Essa noite é heavy metal.
Vou ceder, elétrica,
ao som de um Sepultura,
Def Leppard overture,
overdose hardcore,

qualquer coisa que arda e cure.

Ainda que depois eu sobre
flor esmagada
entre suas partituras.

21 agosto 2011

Intenso

Nós dois,
tramados em cetim violento.

Amor de cortar os pulsos
até chegar no osso.
Amor de olhos inchados
e marcas violáceas no pescoço.

Cama convulsa.

Pulsa
e jorra da pele molhada
combustível
de alta inflamabilidade

Minha beleza fagulha
e explode
tua insanidade.

Tóxica.

Monóxida
de carbono,
mata por asfixia.