Insuportável mesmo essa história
de crescei, multiplicai,
toda essa joça de procriar ao próximo
como a ti mesmo,
amar aos seus sobre todos os sonhos.
E eu?
Não me prive, por uns meros detalhes
da dor momentânea de ter você por uns tempos!
Meu caro:
nem tenho medo do calendário Maia,
mas finjo um fim próximo,
inexorável
(palavra cheia de empáfia)
que é para ter uma desculpa pronta,
indiscutível,
pelo comportamento impróprio,
para que eu tenha um álibi,
testemunha imparcial,
canalha:
"não estava em casa
quando o destempero veio à baila".
Se tudo não virar nada,
perdoa,
- ninguém sai incólume -
A urgência da onda que logo finda
e acredita em lendas,
não premedita as coisas:
Tsunamis, em geral ,
são contra a moral e os bons costumes
- viva o "que se foda"! -
22 maio 2010
Clamor de Guerrilha
20 maio 2010
Não vá.
com medo de dizer algo que não posso,
e assim me embaraço,
com medo de embaraçar-me
- será que todos notam? -
É diferente quando ele não está:
a lot of self-confidence,
self confidence a dar com o pau!,
(pergunte a quem bem nos conhece
como sou
quando ele não aparece).
E é só ele chegar
e me dá raiva:
"quem é você pra não me amar?"
- ódio da mãe dele
tê-lo educado so polite!,
eu preferia que ele me desse um tapa -
01 maio 2010
Sorteio de livros
SEGUIDORES QUE GANHARAM OS 5 LIVROS:
Poesia aos gritos ,
L. Rafael Nolli,
DARCI BORGES,
Cassio Loretti Werneck,
sidnei olívio
FORAM SORTEADOS POR ALGUÉM QUE NÃO SABIA A ORDEM DOS SEGUIDORES. DEIXEM SEUS ENDEREÇOS NO EMAIL: flavia_perez@hotmail.com
07 abril 2010
Lua Cheia:
Um animal estonteante
em vestido tarja preta,
salto agulha de seringa
anda com a alma descalça.
Assim todo dia
é dia da caça.
Repostagem de 29/09/08 agora com vídeo incorporado.
04 abril 2010
Boa Páscoa
- Eis aqui meu corpo ao azeite e ervas finas.
- Eis aqui meu sangue cabernet sauvignon.
Compra menos bacalhau, tá muito caro,
divide tudo, volta ao básico
ou cala a boca e para de fingir que se importa, "irmão"!
Qualquer luxo é assassinato,
e em cada semáforo,
outra cruz, outro espinho, outro cravo.
Tudo que Ele fez jogado aos porcos
que usam peles e pérolas nos pescoços.
02 abril 2010
Carlos Galdino entrevista Flá Perez
F.P-Primeiro brincava muito na rua, andava de bicicleta, polícia e ladrão, vivia suja, então entrava no quarto e lia, lia, via TV, TV. Dentro dos livros e filmes viviam outras vidas. Não passei fome ou privações materiais. Na minha época nem existia Barbie. Fiz muita coisa cedo demais. E ia dormir correndo quando ouvia o carro do meu pai na garagem (salta um psicanalista pra viagem!).
Carlos Galdino CP, E o seu contato como livros como se deu?
F.P- Foi minha mãe quem me deu: Reinações de Narizinho, As Meninas Exemplares, Pollyana, M. Delly...
Carlos Galdino CP, Tinha o sonho de ser escritora?
F.P -Tinha nada! Queria ser exploradora na África, arqueóloga, fazer expedições à Antártida em barco corta-gelo, ia entrar no Projeto Tamar e de quebra ser cantora e dançarina.
A correnteza mudou o curso do rio, mas nem tanto: fiz biologia, mestrado, publiquei trabalhos científicos, fui vendedora de produtos laboratoriais, professora... mas nunca curti nada por muito tempo, sempre faltava algo. Sempre me falta algo.
Carlos Galdino CP, E como se descobriu escrevendo?
F.P -Aos 11 anos escrevi um poema legal, pra imitar um colega de escola, Roberto Jorge. Era poeta-mirim e oferecia-me poemas tão bonitinhos que eu anotava num caderninho. Meus poemas seguintes foram horríveis e não senti vontade de continuar. O máximo que fazia era ter um diário e tirar nota boa em redação. Quando o encontrei em 2007, retomamos a amizade e voltei a tomar contato e re-viver às voltas com leituras e escritas. Mas não lembro exatamente onde se deu o clic. Acho que, depois de aberta a porta (a não sei bem o que), não consegui mais fechar. Até tentei, pois deixo muita coisa por conta desse vício. E agora posso estar fazendo qualquer coisa, nada impede um poema ou um pedaço de chegar e me importunar até eu escrevê-lo, nem que seja em recibo de caixa eletrônico.
Carlos Galdino CP, E o seu contato com os escritores, com os saraus como e quando aconteceu?
F.P - Quando entrei no Bar do Escritor e conheci quem me inspirasse. Gostei da bagunça, do jeito irônico, mordaz do pessoal e resolvi frequentar, me divertir com gente inconformada (inconformada tem que ser com algo, mas aqui não cabe, não vem ao caso, seria mais gente que não se encaixava, desencaixada) como eu. Não tinha intenção de nada.
Carlos Galdino CP, Você escreve mais sobre quais assuntos, ou seja, quais as suas temáticas mais recorrentes?
F.P - Paixão e ódio, ciência e céu e seus contrários. Não domestiquei os meus hormônios, por isso escrevo oferecida, roliça, toda pernas em submissão, olhar de gazela ao bicho homem ou então escrevo mordidas e unhadas em quem estiver a altura das patas, quando sou mais que a fêmea do leão. A poesia é feita de excessos, extremos, sem tons pastéis nem beiras d’água, porque não tenho quietude dentro para ser mostrada do lado de fora.
O homem mitológico é minha vítima preferida: quando topo com um em minha vida, aprisiono-o dentro de um poema, corpo e éter. Coleciono homens em poemas hermeticamente desatarraxados.
Carlos Galdino CP, Como se dá o seu processo criativo?
F.P -De repente falo ou ouço uma palavra que desperta, junta-se a outras que estavam esperando sem que eu soubesse, e pronto: vem a idéia. Ou digo algo que acham interessante, então me animo. Quando a idéia vem, o resto cai que nem água de cachoeira, colar de contas que arrebenta, na minha cabeça. É coisa de segundos, dura tão pouco o vislumbre que, se não anotar na hora, esqueço. Gosto da internet porque sempre posso voltar e lembrar o que disse. Quantas vezes em conversas falei algo que depois coloquei em poemas!
Carlos Galdino CP, Escreve mais quando está triste ou alegre?
Ou esse fator não é determinante em seu processo de criação?
F.P - Se for extrema a tristeza ou a alegria, perco a fome, o sono, a verve e a vontade. Tudo que passa por mim, me alimenta, mas quando chegam ao nível vermelho da escala Flá, me tomam todo o tempo e me tolhem. Feedback.
Carlos Galdino CP, Foi fácil editar seu livro?
Como você vê o meio editorial na atualidade?
F.P - Até que foi sim. Editar é fácil e barato. O difícil é ter que ficar com a cara na rua, parar de escrever pra poder fazer marketing e falação em microfones. Nem sei por que nem quando comecei a me preocupar com isso: minha intenção com o livro era editar e ficar olhando pra ele.
Carlos Galdino CP, Sobre o seu livro: porque leoa ou gazela?
F.P -Tive e quis colocar um tema, separar, arrumar, tenho mania de empilhar coisas. Tinha que colocar poucos poemas, então criei um tema e deixei de fora o que não encaixava na idéia de como o homem me vê ou como me comporto com ele em algum momento. Meu outro livro, com os poemas rejeitados pro Leoa ou Gazela, fala apenas de dentro, da poesia e do criar. Leoa ou Gazela trata de relações, como “o que senti quando você fez aquilo comigo e vice-versa”.
Carlos Galdino CP, E como está a aceitação do seu livro?
F.P - No quesito conteúdo, as mulheres gostam porque digo o que elas sentem e fazem, mesmo escondidas, mesmo o que não dizem com a boca e por isso eles não entendem, os homens gostam pela sensualidade, e admitem. E ambos curtem pela forma também, pois os poemas são gostosos de ler, divertidos.
Carlos Galdino CP, Ganhou dinheiro com literatura?
F.P -Hahahahahahahahahahahahaha!
Carlos Galdino CP, Fale sobre seus projetos:
F.P -Não os tenho. Para planos e projetos há que se ter organização e persistência...



