11 março 2010
Universos Há Mais - para Heloísa Galves

Heloísa
Heloísa agora dorme
e deixa o corpo da poesia esvaziado.
A corda desse lado está mais fraca.
Heloísa passa
e a alma da poesia
- imenso cravo na lapela -
pensa em hamadríades.
Acorda, poesia:
Fadabruxa foi morar dentro das árvores
(de um Mundo que não consta em Geografias).
09 março 2010
Uma mulher caminha nua pela estrada:
toda noite ela sai de sua cela
pra cometer outra vez sonhos
e assaltos
sobressaltando as palavras
com rimas que não são delas.
E nunca uma mulher
caminhando nua pela estrada
pareceu tão bela.
cantiga de moça
Se tu não te cansas,
tampouco me canso
- seu braço roçando o meu -
goiaba e açúcar,
quando juntam no tacho,
pra sair cheiro de amor
só precisam de um fogo baixo.
...título perdido pelos quartos...
Inda agora deu vontade
de cortar fora as bolas do meu gato.
Eu e Hilda num poema em parceria
e, de repente, ele mia alto,
me acorda e corta nosso barato.
"poética quebrada pelo meio, poética quebrada pelo meio"
diria Ana Cristina, achando graça.
"creio saber quem afugentou meu gato"
disse Alice ao Chapeleiro,
e por pirraça ele falou
- Também creio que sei-o.
Stone Whashed
Enquanto me arrebento
em rimas mal-lavadas
tem gente que só usa
verso branco.
Haja OMO.
08 março 2010
Assis de Mello e o Leoa ou Gazela
Comentário de Assis de Mello no depoimento do Orkut sobre o livro:
Flávia, Leoa ou Gazela chegou ontem. Li numa sentada. Reli agora de manhã. É um livro delicioso, sensual, bem humorado, vívido, pleno de sacadas geniais e bem escrito. Leve e luminoso. Alguns temas são normalmente difíceis: sensualidade, erotismo, dor e lamentação, confissões pessoais... Há sempre um grande risco de se cair no lugar comum. Você, com muita naturalidade, soube escudar os poemas desse tipo de perigo com uma linguagem moderna, “descolada” e hábil. Suas imagens são sensualmente belas e, com frequência, bem humoradas. Inúmeros de seus versos têm vocação para epígrafe. Leoa ou Gazela é um livro de poesia de ótima qualidade, quem o ler reconhecerá.
Muito obrigado.
Assis de Mello (Chico)
06 março 2010
o verbo de vez em quando
Poesia é um cheiro que dá
de repente no ar,
depois passa.
Se a poesia picar cartão todo dia,
acaba ficando
sem graça.
04 março 2010
Secreto
Admito,
mesmo correndo risco
de ver você em fuga
(à toda!)
após recebimento de tamanho choque:
até que lido bem com esse lance todo
de se fazer mistério
e da falta de toque.
- afinal, um grande amor
(em seu início)
pode não envolver urgentemente
o sexo -
E digo mais:
adoro o anonimato, o platonismo,
a omissão e o blefe.
Mas peça algo
que me pareça um laço
com semelhança vagamente a nó(s)
e exijo nome, voz e cepeéfe.
E só.


