28 fevereiro 2010
22 fevereiro 2010
Poema Perdido
...Mas o beijo
do meu desejo
sobra
a boca
falta
e me esnoba ...
(perdido para sempre desde 2007?)
18 fevereiro 2010
Exercicícies
Não fosse somente Alice
o que, além do que se disse,
ela sereia?
Fosse Alice também uma sereia
ela não seria só Alice:
seria uma sereia Alice.
E o que faria Alice nesse caso,
(o de ser menina)
além de meninices?
Faria sereialices.
Sereia só é melhor
que somente Alice?
Então melhor sereia
(aquilo)
que uma Alice a litro.
(janeiro 2008)
14 fevereiro 2010
Antíteses de Sobrevivência
“Até a planta respira pouco
economizando quando não tem Sol.”
Flá Perez
Não se esforce tanto em luta pelos que já tem tudo,
e sobretudo, lembre-se:
não mate a fome falsa desses barrigudos
- um dia voltarão para comer seu fígado
e lhe tomar até o que não há na bolsa -
Eu sei que nessas horas você nem pensa em troca,
você nem freia a língua,
mas, (juro!), quem menos precisa
da sua saliva,
te come mais do que o caber na boca.
E nem devolve seu tempo perdido
nessa guerra à toa.
Não peço que se guarde o grito,
mas grite ao menos
ou tão somente pelos muito aflitos.
Nem peço que se quede muda,
mas lute apenas
por quem pode pouco
- prefira estar ao lado
de quem pede ajuda -
Guarde suas forças,
que mais adiante há outros:
Eles tem olhar
de derreter as almas
atravessando espelhos.
Alguns tem os pulsos cortados,
pele colada aos ossos
(e são a nossa pele, os nossos cabelos!).
Ou esqueça esses conselhos maus
e faça como eu:
guarde o melhor pedaço
para dar aos seus.
O Forte
Oceano, peço:
traga imensa vaga expiatória,
e invada a cidade maldita.
- afogue ao menos Copacabana
e inunde o Outeiro da Glória -
Assim essa náufraga
soberana e interdita,
essa mulher tirana
será jogada das encostas.
Desabará a castelã
- ela, que se mantém no escuro -
a amurada, o promontório
e desobrigada dessa história
voltará os olhos
para meus muros.
(Repostagem de 16/09/2008, agora com o vídeo)
Allan Vidigal no Politeama
29 janeiro 2010
Letras em teu corpo - Flá Perez
Como Chico Buarque,
fazemos poesia e amor até bem tarde.
E ela acorda cedo de manhã.
Beija minhas costas, me acarinha .
Eu a puxo de volta, vasculho seu corpo,
encosto todo meu desejo nela.
Mulher que penso submissa, abelha rainha ,
se desvencilha e sai apressada.
Durante o dia sinto seu cheiro em minhas mãos, nos lábios,
refaço cenas, passo a passo.
À noite, quando chego da minha lida, a encontro na cama,
cabelos molhados, adormecida.
Por um tempo velo seu sono,
- algum tremor passageiro, algum sonho –
Não me contenho:
exploro, farejo, beijo.
Minha felina se estica,
abre seu sorriso mais lindo,
Abre as pernas e me recebe.
Quente, quente, quente!.
Então começamos tudo de novo...
Ah! vida meio vagabunda essa da gente!
Que não acabe nunca!
(Repostagem de 03/11/007, com vídeo).
Cesar Veneziani declamando no Politeama:
28 janeiro 2010
Entrevistada
UE – 01. Sua escrita é ácida e envolvente, o que te inspira?
FP – Estar apaixonada ou em vias de estar, conversas na internet ou fora dela, pessoas irônicas (adoro), com respostas rápidas (adoro plus!), raiva, injustiças e sacanagens, mitologia, ciências (minha segunda maior fonte), uma palavra dita por alguém e que na hora me dá um choquinho na cabeça...
UE – 02. Qual a sensação de editar?
FP – A sensação inicial é de posteridade-imortalidade- completude-mission acomplished-agorapossomorrer, mas depois a gente vê que tudo é mentira. É como comer em restaurante japonês: logo a gente fica querendo editar de novo.
E, se você não faz marketing, (e hoje em dia então, nem se fala!), se não faz um “social”, berra os poemas em saraus, nem faz teatro na hora de declamar, ninguém gives a shit. Dá trabalho, e trabalho é coisa que detesto. Mas estou fazendo, perdendo a timidez, senão as “crianças” não saem das caixas. Só não vou dar pra crítico nenhum, nem pagar pra ser mencionada. Questão de nojo e princípios, respectivamente.
UE – 03. Percebe-se em sua fala um tom de revolta que contrasta por vezes com seu lado feminino e pungente, essas duas personas coabitam em você?
FP – Acho que é hormonal, terrivelmente hormonal. Sou uma escritora bicho. Quando estou nos dias bons me derreto em poemas de consentimento, amores-daçados, entrega, femeazinha mostrando a bunda-poema vermelha pro macho. Outros dias estou
com a leoa e minha ironia ou raiva dão aos poemas-patada esse ar de revolta. Mas não é revolta, acredite, mesmo quando faço poemas cheios de ódio e TPM me divirto pacas!
UE – 04. Acha que ser mulher ajuda ou atrapalha no meio cultural?
FP – Atrapalha ao topar com tipos machistas que só gostam das escritas de seus companheiros de boteco e das mulheres a quem eles acham que podem comer. E depois fico puta da vida de não poder reclamar sem medo de parecer uma “feminista carente” ou histérica. Nessas horas dá vontade de matar a mãe do Freud.
UE – 05. Observa-se que muito dos seus poemas são respostas ao que te atormenta ou até do que te faz rir, isso também te impulsiona?
FP – Nossa, isso é o que mais me impulsiona: tesão e paixão. A paixão-tesão pra lutar contra algo também. Se não estiver com raiva, com ódio ou amor, produzo muito menos. Acho que nos meus períodos de relativa paz com tudo ao meu redor, meus textos por demais sem sentimento, frios, com técnicas e joguinhos de palavras, mas carecendo de história ou nexo que me satisfaça.
UE – 06. É uma poetisa visual, bonita e inteligente. Usa de sua imagem para atrair novos leitores?
FP – Não de propósito. Mas sei que sem querer isso me serve como capa de livro, letreiro de cinema, manchete de jornal, porque ainda não sou conhecida como gostaria. É um abre-alas. Quando estiver velha e feia vou fazer o “Cora-Coralina way” (sem querer me comparar à qualidade dela, pelo amor de deus!). Espero na velhice agradar mais algumas mulheres. Em suma, coloco minhas fotos porque EU gosto de olhar pra mim (risos). Um dia não vou gostar mais, tenho que aproveitar agora.
Porém alguns tipos não levam fé na minha escrita por preconceito: “como pode ser bonita e escrever bem?” Também pelo fato de ser muito besteirenta fora dos textos, não me levam à sério. Mas, uma vez constatado o erro de julgamento, viram leitores. Depois que lancei “Leoa ou Gazela”, várias pessoas disseram estarem “surpresas” com ele. Devo ter cara de imbecil, pra que seja tanta surpresa o fato de conseguir prender o leitor até o final do livro!
UE – 07. Acha que a internet serve como ferramenta para novos escritores?
FP – Sim, mas sometimes o povo não compra livro pensando que vai achar tudo na net. Comigo enganam-se, pois os poemas do livro, salvo pouquíssimas exceções, não estão em blogs, sites, etc. Existem alguns nos computadores dos meus leitores, mas são versões primeiras de poemas que só considerei finalizados porque e quando foram publicados em papel. Os de internet mudo a toda hora. Não me desespero com a internet, na livraria há “imortais” comendo poeira de tanto ficar na prateleira. Até os ex-marginais que agora são clássicos, como Ana C. Cesar (encomendei na livraria, mas desisti de comprar. Deixaram lá pra venda Está até hoje. Cinco meses). Tem quase tudo dela na internet! O Carpinejar lançou um livro com o conteúdo do que escreve no twitter, faça-me o favor! Tenho dó de quem comprou: podia ler de graça. Tô respondendo mais do que o perguntado.
UE – 08. Citaria novos escritores que admira que conheceu no meio virtual ?
FP – Múcio Góes e Valéria Tarelho não são novos, mas são meus ídolos, assim como sou fã de Antonio Marianno, Lau Siqueira e muitos outros. Mas, novo mesmo...deixa ver: Anderson H., Ukma, Magmah, Ana Sisdelli, Heloísa Galves, Sheyla de Castilho são meus preferidos, pois tem maior quantidade de qualidade, entendeu?
UE – 09. O que está lendo hoje?
FP – Hoje começo e não termino de ler nada. Comecei mais um do Cortázar, um do Alejo Carpentier, comecei os ebook da Ukma, da Magmah, um livro maravilhoso que recebi do Lau Siqueira, comecei o Lobo das Estepes...acho que estou lendo todos. Sofro de falta de tempo pra correr atrás do meu atraso literário! Quando engatei a escrever mesmo, em 2007, foi que comecei a ler os “indicados” e ainda por cima fui me interessar pelos novos, a cabeça roda, misturo teorias e histórias.(risos).
UE – 10. Quais suas influências?
FP – Se eu disser que não sei, não fique brava, não entendo disso, mas talvez, por ter lido Leminski, Hilda Hilst, Neruda depois que entrei para o BDE... Lia Bruna Lombardi quando moça, lia a Biblioteca das Moças (risos), Anderson H. me influenciou bastante. Betty Vidigal também. Mas não creio ter o estilo de nenhum desses.
UE – 11. Quais suas outras obras editadas?
FP – Só mesmo o “Leoa ou Gazela, todo dia é dia dela”. Meus livros são temáticos, precisei fazer isso devido ao volume de coisas que quero mostrar, tem que ser um pouco de cada vez. Leoa ou Gazela editei antes que me faltasse coragem, pelo conteúdo erótico e que pode ser ou quase confessional. Outras já registradas, esperando publicação são: “A Filha de Capitu”, “Não Culpem Nelson Rodrigues”, “Musa Marginal”, e em produção: “Norma, a Inculta’ e “O que Mariazinha foi fazer atrás da dobra Temporal?”
UE – 12. Onde encontrar Flávia Perez e sua obra?
FP – O livro, na Editora Utopia, na Além da Lenda, Livraria Cultura, outros poemas, nos meus blogs sempre em reconstrução e redecoração (Volúveis.Voláteis http://tudoqpuderbyblabla.blogspot.com/ , BláBláDemais http://calabocablabla.blogspot.com/, Musa Marginal http://musamarginal.wordpress.com/ ...), nos blogs e revistas eletrônicas para os quais fui convidada ou nos quais me enfiei na cara-de-pau( Falópios, Bar do Escritor, Vale das Sombras, Clube Caiubi, Página Cultural, Gosto de Ler, Álbum Palavra, Pó&teias...). Eu, às vezes vou no Sarau Politeama, no Sopa de Letrinhas raramente, e no twitter, facebook e orkut (lá sou a BláBlá).
UE –13. O que te impulsiona à escrita?
FP – Gosto de mostrar o poema para o meu amadinho do momento, gosto da satisfação e alívio que sinto ao ver o ritmo ou exatidão quando leio (meu único sintoma de obsessivo-compulsiva é esse: o ritmo, a rima e a construção, faço por motivo de saúde mental). (risos). Agora, o que me faz escrever mesmo, mesmo é ver, sentir a reação dos leitores. Sou movida a isso.
UE –14. O que te encanta, o que prende seus olhos?
FP – A intensidade, a loucura, o que não é completamente dito, o desconhecido, o longe demais pra se ir o corpo, extraterrestres que parecem gente, homens que são machos o bastante pra ter cabelos compridos, conviver e viver entre as mulheres com respeito, sensibilidade e gentileza, homens em macacões de corrida e capacete, cavaleiros-andantes-salvadores-de-princesas modernos, tigres, leões, lobos, pessoas que são como os tigres, leões e lobos, pessoas com capacidade de amar sem serem amadas, todas as ciências biológicas, tanta coisa...
UE –Muito obrigada, querida!
23 janeiro 2010
Holofote
No vestido
escondo
o que me sobra
e fora
finjo ter
o que me falta.
Meu rosto
por enquanto
é palco
- cortinas descerradas -
mas tudo
que te mostro
é farsa.
10 janeiro 2010
31 dezembro 2009
i Lógica
Dois mais dois fica impossível
e nunca vai dar em quatro
se o um é insuportável.
O três, de tão In-solúvel
é muito mais melodramático.




