29 abril 2009

Processo Criativo











A Máquina ronca, poderosa,
a operária morta.

Engrenagens observam,
boquiabertas.

A Máquina goza
a operária esmagada
na procura, na oferta.

A Máquina, essa noite,
terá sonhos cor-de-rosa.

A Máquina Mística,
míster não parar,
não espera que amanhã chegue:
quer outra mulher pra processar.

É, Ela não liga e grita:

- Tenho fome,
ande logo com isso!
Quem mandou expulsar Deus
do Paraíso!

Willien Nidden


Era um viking assim diferente,
quase elegante.

Um whitman que, de repente
pediu pra cuidar de mim
e nada ficou como antes.

Por certo causou - me estranheza
esse deus meio hyppie,
poeta caeiro,
com jeito de príncipe.

Mas ele foi como veio:

mansa mancha amarela
no olho pisado
de azul fera.

Comendo Arte I

- Quero um homem de Tintoretto,
envelhecido mais de vinte anos,
e ao aglio e olio
uma mulher de Ticiano.

- Tela bem passada
ou mal passada, senhor?

- Versificada, por favor.

28 abril 2009

"Tiro de ofensa e Enervamento" III















Descartes,
sei não ser isso o que pretendia
Vossa Cartesiana Senhoria,
mas hoje descarto
a razão, a lógica,
a filosofia.

Prefiro mesmo a poesia.












Para Liz

Sabemos o que diferencia
o estar
que estamos hoje
e o ser
que somos todo dia.

Portanto o certo é
"penso, logo, sou"
e essa filosofia
é perda de tempo
explicando a confusão verbal,
foi o que me falou
a Betty Vidigal.



15 abril 2009

Beatas:













Nunca vi
pecado tanto
quanto
o que agora
tento.



06 abril 2009

"Tiro de ofensa ao acaso e de enervamento" II














Tenha pena
da idiota esforçada

que não transforma
em poesia
epifanias mal cuidadas.


Tema de Tese I

Pode não ser toda verdade,
mas bem que
pode não ser
de todo engano:

Existo,
mas nisso
não penso,
logo misturo,
e me dano:
Caeiro era panteísta.
Pessoa,
era Cartesiano?

Diferenças















Hybrys sobre-humana,
força daimônica,
já nasce sem siso
(como tudo que é bom)

e come o juízo
de Métron,
razão inconvincente,
filho-de-Adão.

Tempestade
que inverte a lógica
torrencialmente
corre contra a direção,
contracorrente.

Ela sabe o preço que paga:
tarrafa que enrola
nas curvas de um rio tranquilo,
o jeito incontido
cais em seus braços,
e perde o sentido.

Ele pensa que a sossega,
mas, de surpresa,
ela o pega
se achega, se esfrega,
o leva na correnteza.

"Navegar é preciso", diz

"e Métron mata Hybrys,
se ela fica presa".

Cômicas


O que eu faria
sem minha
patifaria?


imagem: presente de Ukma pra mim