13 outubro 2008

Fantasia

Vivemos um romance de livro.
Vivemos dentro
do livro que escrevo.
Pelo menos eu
vivo.

Você, menos louco que eu
é preocupado com a vida real.

Eu, fujo todo dia
e dentro dessa história
escrevo sempre
um novo final.

11 outubro 2008

Carochinha revisitada.

Quem quer casar com a senhora Baratinha
que tem tinta no cabelo
e muito fogo nas calcinhas?

Retruco


Por mais piegas que lhe soe,
eu digo:

esse amor que persigo
é aquele que nunca vai,
(embora não correspondido,
fica lá,
em stand by).

Se essa coisa tanto me dói,
não é, nem nunca foi.

É só paixão, um desatino,
que mal chega e já destrói
e não estava em meu destino.

08 outubro 2008

Afogada

Eu
corredeira ,
afluente,
influência tua.

Tu
cruel
conluio

Confluis
me acalmas
me fazes ribeirinha,
alagada, pequenina.

Nós,
gigante
onda
na junção
das águas

Ai,mas
oceano envolve,
oceano encobre
e a maré
afoga

Me dá vida,
maré ,
me dá morte!

07 outubro 2008

Minh' Alma

Psiquê peregrina
de um Cupido
astigmático
e indolente.

25 setembro 2008

Rápidas

- Uma lobotomia e um suco de laranja, por favor.

22 setembro 2008

Demoníaca

Uma tem
manual de bruxaria
outra lê Paulo Coelho

mas ninguém imita
esses olhos de espelho,
e as mãos que curam,
destróem
segundo merecimento

vejo os chifres e as asas
ceifo, tolho
ou alimento

vejo o que há de ser
ou o que foi

corto antes do juízo
e não lamento.

07 setembro 2008

Capangas



Na transparência
é que vemos defeitos

– quem se esconde
pode mostrar-se perfeito –



Então Ele pede aos demônios:
"Cacem os anjos coxos,
matem os desordeiros
que vingam e vagam translúcidos,
caçem-os feito sabujos!

Destruam os lobos,
não os cordeiros,
façam meu serviço sujo!".

21 agosto 2008

Bela Medéia


 Foto do poema Exposição Retrato Palavra
Dava-se sem jogos e estratégias
a Bela concubina preferida.

Ele gostava dela
porque era doida varrida.
Era muito mais velha,
mas,

- Deus do céu, era linda!

Sem escolha,
de que adianta ser Bela
quando não se é
Aquela?

O amor chega
quando menos se espera...

E Bela concubina estéril
virou um dia, a preterida.

Nessa história mora o desastre
- não há o que mais amedronte -

Não há perfume que disfarce
o cheiro,
coagulado
no vestido branco,
manchado
da filha de Creonte.

13 agosto 2008

Fiat que se exploda!

Na caixa de Fiat Lux,
Metáfora risca um fósforo.

Acende na hora
olhando embevecido,
queima o dedo se demora.

Não tem palha, nem álcool,
nem tecido,
não tem nada pra manter
a cama.

Se algo molha ou alguém sopra,
não se chama.

Apaga sozinho,
pois na caixa
tem muito palitinho.

E quando for o último?