25 abril 2008

Paixão

Em ponto de bala
quebra-queixo
------------------------dispara
---------------e pára
de fogo gelada,
alojada do lado direito

Inoperável algodão
-doce-
se e s p a l h a......
i ne xo rá vel men te
e EXPLODE
dentro do peito.

Tá vendo, Casadinhos
com paixão não se brinca!

Baba-de-moça,
bem feito!

Pedinte

Dia sim, dia não
dou às palavras suas
sentido e entonação
diversos
e as transformo
em versos,
declarações de amor.

Dia sim, dia não
não me sossegas,
não me regas,
não me Degas
e assim mesmo me molho

Recolhendo palavras esparsas
como orvalho.


Posteridade ou Privada?

Vejo a ostra se abrindo e cismo:
sou efêmera massa mole
a ser cagada depois de comida,
ou a jóia rara nela contida?

Vejo a ostra se abrindo e cismo:
ainda nos pensaremos pérolas
quando começarmos a morrer,
moluscos eremitas,
em completo ostracismo?

Não quero ser comida,
não quero ser cagada,
depois de digerida.

De nada serve a jóia se não alimenta?

Pra que serve a cigarra?
Pra que serve a formiga?

Pra que serve a cigarra que recita lava- pés
e entoa canções saúvas?
Cigarras explodem
e morrem jovens,
formigas morrem velhas
e apenas correm.

O remédio pra tudo é uma panela de água fervente que já deviam ter me jogado.

23 março 2008

Festa

Mar negro anuviado,
nem uma estrela...

(o sapato vermelho
na poça multicor)

Cabelos, cheiros
formas, traços,
braços mancomunados

— Quero ir na favela!

disse o vestido listrado.

Nuvens nos olhos,
gargalhadas,
gente mostrada,
gente velada,
gritos mudos e sussurros.

Um viaduto que caiu,
arcos brancos,
turvos.

Só uma estrela
e o sapato vermelho na poça multicor

Olhos Nublados
e um só copo,
lábios molhados,
corpos multicor.

Benditos sapatos vermelhos
na poça estrelada!

(repostagem, feito em janeiro de 2008 após o encontro BDE in Rio)

01 fevereiro 2008

Iniciática

Esgarça
a gaze branca que me cobre.

Na meia-taça
derrama qualquer bebida,
mesmo a menos nobre.

Tinge de chamas, aguardentes,
se embriaga em auréolas rosadas
- de anjo elas não têm nada -

Asas caídas, no meu céu ungido:
Segue esse líquido até perto do umbigo.

Percorre um Zênite, a anca
junção do Elísio e Inferno,
e dorso-ventral
e inversamente
desemboca sua boca na nascente.

Absorve o seu Karma
meu gozo e presente:

Absolvo sua alma,
conservo seu corpo,
éter e semente...


18 dezembro 2007

Vercilo

Enquanto verso
eu Vercilo.

Vercilar desgoverna,
amolece as pernas.

Deslizo os dedos
e Vercilo o sexo

Depois durmo
e Vercilo em sonhos
desconexos.

15 dezembro 2007

Áspide Bórgia

Bipartida,
minha língua pinga
a tua dádiva

Deito-me contigo
e me entrego

(sujeição é meu veneno predileto)

Imunizada,
esgueiro-me até a porta
e saio,
ofídica e desatenta.

De longe ainda agradeces
tua morte doce e lenta.

Nefertari Reencarnada

Dormi várias noites
aos pés da Pirâmide
numa cama de campanha.

Chamava por ele
incessantemente.

Uma manhã, o grande Faraó,
poderoso ectoplasma,
finalmente apareceu.

E falei:
- Me reconheces, amor meu?

Ramsés olhou-me de soslaio
e foi-se embora rindo,

nem sequer me acenou!

Filha da puta de médium,
o charlatão me enganou!

10 novembro 2007

05 novembro 2007

Quase um nada

Turbilhão, desabamento.
ciclone, enxurrada!

Na chuva incessante,
vi aviso de perigo.
e não obedeci :
"Que nada!"

Demente vazante,
cai na correnteza
e me feri.

E não fui útero
incandescente
da fênix destruída,
ou tiro de misericórdia
na sua nuca.
Bala perdida!

Nem cheguei a salvar seu dia!
que merda de heroína!

Nada disso,
fui apenas pó ,
misturado com tanta cocaína.

ela,
não deixou nada pra mim.