Mar negro anuviado,
nem uma estrela...
(o sapato vermelho
na poça multicor)
Cabelos, cheiros
formas, traços,
braços mancomunados
— Quero ir na favela!
disse o vestido listrado.
Nuvens nos olhos,
gargalhadas,
gente mostrada,
gente velada,
gritos mudos e sussurros.
Um viaduto que caiu,
arcos brancos,
turvos.
Só uma estrela
e o sapato vermelho na poça multicor
Olhos Nublados
e um só copo,
lábios molhados,
corpos multicor.
Benditos sapatos vermelhos
na poça estrelada!
(repostagem, feito em janeiro de 2008 após o encontro BDE in Rio)
23 março 2008
Festa
01 fevereiro 2008
Iniciática
Esgarça
a gaze branca que me cobre.
Na meia-taça
derrama qualquer bebida,
mesmo a menos nobre.
Tinge de chamas, aguardentes,
se embriaga em auréolas rosadas
- de anjo elas não têm nada -
Asas caídas, no meu céu ungido:
Segue esse líquido até perto do umbigo.
Percorre um Zênite, a anca
junção do Elísio e Inferno,
e dorso-ventral
e inversamente
desemboca sua boca na nascente.
Absorve o seu Karma
meu gozo e presente:
Absolvo sua alma,
conservo seu corpo,
éter e semente...
18 dezembro 2007
Vercilo
Enquanto verso
eu Vercilo.
Vercilar desgoverna,
amolece as pernas.
Deslizo os dedos
e Vercilo o sexo
Depois durmo
e Vercilo em sonhos
desconexos.
15 dezembro 2007
Áspide Bórgia
Bipartida,
minha língua pinga
a tua dádiva
Deito-me contigo
e me entrego
(sujeição é meu veneno predileto)
Imunizada,
esgueiro-me até a porta
e saio,
ofídica e desatenta.
De longe ainda agradeces
tua morte doce e lenta.
Nefertari Reencarnada
Dormi várias noites
aos pés da Pirâmide
numa cama de campanha.
Chamava por ele
incessantemente.
Uma manhã, o grande Faraó,
poderoso ectoplasma,
finalmente apareceu.
E falei:
- Me reconheces, amor meu?
Ramsés olhou-me de soslaio
e foi-se embora rindo,
nem sequer me acenou!
Filha da puta de médium,
o charlatão me enganou!
10 novembro 2007
05 novembro 2007
Quase um nada
Turbilhão, desabamento.
ciclone, enxurrada!
Na chuva incessante,
vi aviso de perigo.
e não obedeci :
"Que nada!"
Demente vazante,
cai na correnteza
e me feri.
E não fui útero
incandescente
da fênix destruída,
ou tiro de misericórdia
na sua nuca.
Bala perdida!
Nem cheguei a salvar seu dia!
que merda de heroína!
Nada disso,
fui apenas pó ,
misturado com tanta cocaína.
ela,
não deixou nada pra mim.
27 outubro 2007
Lado B (Por Robérton e BláBlá)
Foto: Flá e Robertón (2007)
Vou um dia
voltar.
Renascer
como teu ar,
teu corpo
percorrer,
e me alojar
em cada célula.
Vital ao teu viver.
Quero ser
teu lado bom
ou teu lado B.
No teu sorriso,
prazer
Em teu corpo,
orgasmo.
Renascer
na tua sede,
a água.
Vontade saciada.
Balança,
equilibrada
e tua loucura.
Livre
confinamento
infinita procura
e descobrimento.
Se um dia
voltar...
--------------
Recado dele:
Quem tiver dificuldades em poetar, pode acender vela pra santa Bla, ela anda fazendo milagres... Tranforma tosqueiras em poemas bonitos!Minha parceira, tenho orgulho de dividir o teclado com vc!
a história deles dois ( por BláBlá.e.Anderson H.)
Vestiram-se de fúria
e saíram para cheirar.
No útero dela
uma bala perdida,
Na nuca dele
um tiro de misericórdia:
cocaína...sinfonia monocórdia do coração...
horas de deslumbre
e taquicardia.
deitaram-se no lixo e tiveram dois filhos...
Foto: FláPerez e o poeta Anderson H (2007)
24 outubro 2007
Piazzolla
Não faço o poema.
Ele me caça
no meio da noite
me enlaça
e dança comigo.
Meu vestido tem fenda:
deixa sílabas
à mostra.
Acordeon,
me vira, desvira,
milonga, me encoxa.
— Acorde doída de frases!
Acordes na boca
sentindo palavras
que ainda sentido
não fazem!



