Enquanto verso
eu Vercilo.
Vercilar desgoverna,
amolece as pernas.
Deslizo os dedos
e Vercilo o sexo
Depois durmo
e Vercilo em sonhos
desconexos.
18 dezembro 2007
Vercilo
15 dezembro 2007
Áspide Bórgia
Bipartida,
minha língua pinga
a tua dádiva
Deito-me contigo
e me entrego
(sujeição é meu veneno predileto)
Imunizada,
esgueiro-me até a porta
e saio,
ofídica e desatenta.
De longe ainda agradeces
tua morte doce e lenta.
Nefertari Reencarnada
Dormi várias noites
aos pés da Pirâmide
numa cama de campanha.
Chamava por ele
incessantemente.
Uma manhã, o grande Faraó,
poderoso ectoplasma,
finalmente apareceu.
E falei:
- Me reconheces, amor meu?
Ramsés olhou-me de soslaio
e foi-se embora rindo,
nem sequer me acenou!
Filha da puta de médium,
o charlatão me enganou!
10 novembro 2007
05 novembro 2007
Quase um nada
Turbilhão, desabamento.
ciclone, enxurrada!
Na chuva incessante,
vi aviso de perigo.
e não obedeci :
"Que nada!"
Demente vazante,
cai na correnteza
e me feri.
E não fui útero
incandescente
da fênix destruída,
ou tiro de misericórdia
na sua nuca.
Bala perdida!
Nem cheguei a salvar seu dia!
que merda de heroína!
Nada disso,
fui apenas pó ,
misturado com tanta cocaína.
ela,
não deixou nada pra mim.
27 outubro 2007
Lado B (Por Robérton e BláBlá)
Foto: Flá e Robertón (2007)
Vou um dia
voltar.
Renascer
como teu ar,
teu corpo
percorrer,
e me alojar
em cada célula.
Vital ao teu viver.
Quero ser
teu lado bom
ou teu lado B.
No teu sorriso,
prazer
Em teu corpo,
orgasmo.
Renascer
na tua sede,
a água.
Vontade saciada.
Balança,
equilibrada
e tua loucura.
Livre
confinamento
infinita procura
e descobrimento.
Se um dia
voltar...
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Recado dele:
Quem tiver dificuldades em poetar, pode acender vela pra santa Bla, ela anda fazendo milagres... Tranforma tosqueiras em poemas bonitos!Minha parceira, tenho orgulho de dividir o teclado com vc!
a história deles dois ( por BláBlá.e.Anderson H.)
Vestiram-se de fúria
e saíram para cheirar.
No útero dela
uma bala perdida,
Na nuca dele
um tiro de misericórdia:
cocaína...sinfonia monocórdia do coração...
horas de deslumbre
e taquicardia.
deitaram-se no lixo e tiveram dois filhos...
Foto: FláPerez e o poeta Anderson H (2007)
24 outubro 2007
Piazzolla
Não faço o poema.
Ele me caça
no meio da noite
me enlaça
e dança comigo.
Meu vestido tem fenda:
deixa sílabas
à mostra.
Acordeon,
me vira, desvira,
milonga, me encoxa.
— Acorde doída de frases!
Acordes na boca
sentindo palavras
que ainda sentido
não fazem!
23 outubro 2007
Pregando peça
Menina
travessa
Avessa
ao silêncio
Atravesso
o samba
Me viro
do avesso
Vejo tudo
às avessas
Docinho
E veneno
Na mesma
travessa
Isso é
Bom à beça!
Vá se foder , baby!
No more baby
Poema apaixonado:
agora
fome guerra
medo
leite pão
remédio adulterado.
Agora
morte seca,
farta
falta de terra
ao povo
des enganado
Contar dissabores
Descortinar
crimes,
horrores,
revoltas,
matanças,
dores.
Purgar
falsos amores
No more baby
rima fácil.
Fênix
totalmente
modificada
Poesia
nada alienada:
bacilos ,
febre peste,
velhos
asilos.
Vida comida
estragada.
Poesia
criança faminta,
batida ,
apanhada.
Raça extinta
pátria virada
comida de urubu
Poesia
pérolas aos porcos,
no more baby!
Vá se foder !
Vá tomar no cu!



