27 outubro 2007

Lado B (Por Robérton e BláBlá)













Foto: Flá e Robertón (2007)

Vou um dia
voltar.

Renascer
como teu ar,
teu corpo
percorrer,
e me alojar
em cada célula.

Vital ao teu viver.

Quero ser
teu lado bom
ou teu lado B.

No teu sorriso,
prazer
Em teu corpo,
orgasmo.

Renascer
na tua sede,
a água.

Vontade saciada.

Balança,
equilibrada
e tua loucura.

Livre
confinamento
infinita procura
e descobrimento.

Se um dia
voltar...
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Recado dele:
Quem tiver dificuldades em poetar, pode acender vela pra santa Bla, ela anda fazendo milagres... Tranforma tosqueiras em poemas bonitos!Minha parceira, tenho orgulho de dividir o teclado com vc!

a história deles dois ( por BláBlá.e.Anderson H.)

Vestiram-se de fúria
e saíram para cheirar.

No útero dela
uma bala perdida,

Na nuca dele
um tiro de misericórdia:

cocaína...sinfonia monocórdia do coração...

horas de deslumbre
e taquicardia.

deitaram-se no lixo e tiveram dois filhos...













Foto: FláPerez e o poeta Anderson H (2007)

24 outubro 2007

Piazzolla

Não faço o poema.

Ele me caça
no meio da noite
me enlaça
e dança comigo.

Meu vestido tem fenda:
deixa sílabas
à mostra.

Acordeon,
me vira, desvira,
milonga, me encoxa.

— Acorde doída de frases!

Acordes na boca
sentindo palavras
que ainda sentido
não fazem!

23 outubro 2007

Pregando peça

Menina
travessa
Avessa
ao silêncio
Atravesso
o samba
Me viro
do avesso
Vejo tudo
às avessas
Docinho
E veneno
Na mesma
travessa

Isso é
Bom à beça!

Vá se foder , baby!

No more baby
Poema apaixonado:
agora
fome guerra
medo
leite pão
remédio adulterado.

Agora
morte seca,
farta
falta de terra
ao povo
des enganado

Contar dissabores
Descortinar
crimes,
horrores,
revoltas,
matanças,
dores.

Purgar
falsos amores

No more baby
rima fácil.

Fênix
totalmente
modificada

Poesia
nada alienada:
bacilos ,
febre peste,
velhos
asilos.

Vida comida
estragada.

Poesia
criança faminta,
batida ,
apanhada.
Raça extinta
pátria virada
comida de urubu

Poesia
pérolas aos porcos,
no more baby!
Vá se foder !
Vá tomar no cu!

11 outubro 2007

Falbala


Durante o banquete
os homens desejam
a linda gaulesa
da trança comprida
na sobremesa.

O guerreiro Asterix
o Bardo , o ferreiro
o chefe , o peixeiro
o pedreiro Obelix.

Mas a linda gaulesa
da trança comprida
após o banquete
fugiu da aldeia
com o velho druida.

Esse homem

Me segura , pede calma
Diz que pareço confusa
e me manda abotoar
o primeiro botão
da minha blusa.
Diz não me querer só cama
que não me vê somente nua
quer sorver de meus olhos
tudo que tenho escondido
justo agora
que eu já tinha planejado
justo agora ,
que eu já tinha decidido.
diz que não é mais um sacana
como os que tenho conhecido
diz querer ser o meu homem
amante safado
e não meu amigo.


Fiz em resposta a esse, de um amigo poeta:

Menina confusa

A luz difusa me repreende.
Dela o mundo abusa,
E pouco entende.

Dizem que ela é confusa,
Mas não provam nada.
Não a provam.

E sou eu, somente eu
Que sei de seus gostos,
Que provei de seus desgostos.

E, confusa, desabotoa
O primeiro botão
Da blusa.

E segue, despindo-se
Inteira,
Embora negue.

E nua... Diz que me
Deseja só sua
E não entendo.

E confuso... Digo que
Capitulo
E me rendo.

Eu menino. Ela menina.
Ambos confusos
Discutindo a difusão da luz,
Discutindo o que propuz
Discutindo calados.
Eu menino. Ela menina.
Ambos confusos.
Desorientados.

Com Versando

No verso
me ponho
verdadeira.

Na prosa,
diverso.

01 setembro 2007

31 agosto 2007

Ei

Tô falando com você
dentro desse carro!
Não sou poste,
hidrante,
paisagem!
Acha que sou seu figurante?
Ou você é o meu?

To falando com você
que fecha o vidro ,
e finge que não vê!
Depois corre pra igreja,
pra pedir perdão.

Tarde demais!
Eu sou um anjo,
Um teste
Sua última chance,
e você não percebeu.

Toma um tiro na cara!
Toma uma bala!
A bala do anjo caído,
escolhido e excluído.
Você mereceu.