23 outubro 2007

Pregando peça

Menina
travessa
Avessa
ao silêncio
Atravesso
o samba
Me viro
do avesso
Vejo tudo
às avessas
Docinho
E veneno
Na mesma
travessa

Isso é
Bom à beça!

Vá se foder , baby!

No more baby
Poema apaixonado:
agora
fome guerra
medo
leite pão
remédio adulterado.

Agora
morte seca,
farta
falta de terra
ao povo
des enganado

Contar dissabores
Descortinar
crimes,
horrores,
revoltas,
matanças,
dores.

Purgar
falsos amores

No more baby
rima fácil.

Fênix
totalmente
modificada

Poesia
nada alienada:
bacilos ,
febre peste,
velhos
asilos.

Vida comida
estragada.

Poesia
criança faminta,
batida ,
apanhada.
Raça extinta
pátria virada
comida de urubu

Poesia
pérolas aos porcos,
no more baby!
Vá se foder !
Vá tomar no cu!

11 outubro 2007

Falbala


Durante o banquete
os homens desejam
a linda gaulesa
da trança comprida
na sobremesa.

O guerreiro Asterix
o Bardo , o ferreiro
o chefe , o peixeiro
o pedreiro Obelix.

Mas a linda gaulesa
da trança comprida
após o banquete
fugiu da aldeia
com o velho druida.

Esse homem

Me segura , pede calma
Diz que pareço confusa
e me manda abotoar
o primeiro botão
da minha blusa.
Diz não me querer só cama
que não me vê somente nua
quer sorver de meus olhos
tudo que tenho escondido
justo agora
que eu já tinha planejado
justo agora ,
que eu já tinha decidido.
diz que não é mais um sacana
como os que tenho conhecido
diz querer ser o meu homem
amante safado
e não meu amigo.


Fiz em resposta a esse, de um amigo poeta:

Menina confusa

A luz difusa me repreende.
Dela o mundo abusa,
E pouco entende.

Dizem que ela é confusa,
Mas não provam nada.
Não a provam.

E sou eu, somente eu
Que sei de seus gostos,
Que provei de seus desgostos.

E, confusa, desabotoa
O primeiro botão
Da blusa.

E segue, despindo-se
Inteira,
Embora negue.

E nua... Diz que me
Deseja só sua
E não entendo.

E confuso... Digo que
Capitulo
E me rendo.

Eu menino. Ela menina.
Ambos confusos
Discutindo a difusão da luz,
Discutindo o que propuz
Discutindo calados.
Eu menino. Ela menina.
Ambos confusos.
Desorientados.

Com Versando

No verso
me ponho
verdadeira.

Na prosa,
diverso.

01 setembro 2007

31 agosto 2007

Ei

Tô falando com você
dentro desse carro!
Não sou poste,
hidrante,
paisagem!
Acha que sou seu figurante?
Ou você é o meu?

To falando com você
que fecha o vidro ,
e finge que não vê!
Depois corre pra igreja,
pra pedir perdão.

Tarde demais!
Eu sou um anjo,
Um teste
Sua última chance,
e você não percebeu.

Toma um tiro na cara!
Toma uma bala!
A bala do anjo caído,
escolhido e excluído.
Você mereceu.

04 agosto 2007

Cotidiano

Seis e meia
despertador
pasta de dente
pente

leite
liquidificador

casaco

guarda-chuva
coca-cola light
(mas quero fanta uva)
sabão

detergente
ruga,
espelho
aparelho de dente

sinal vermelho
word excell
secretária eletrónica
papel

papel

papel...

arroz, feijão
alpiste, ração
prova de recuperação
o que tem pro jantar?
nome da mãe?
nome do pai?
cpf, celular?
vem almoçar?.

pergunta, resposta
sorriso, mentira ?
estrada
poste?
hoje não...

sucrilho, yogurt
msn, orkut
sinusite, celulite
pijama, meia
onze e meia
memória cheia
delete...

Vôo 3054










Na escuridão
Bracinhos estendidos
- Cadê mamãe, papai
irmão?

Dentro
destroçados gritos
E o fogo
consome o choro
de quem não mais será

No frio que não sente
vê,
de repente
mãe, pai ,
irmão , irmã.

Adiante
avó, netas
finalmente...

- Vamos daqui
fecha os olhos despedaçados
vamos daqui, meu bebê,
pai, mãe,
irmão,
abraçados.

Lá fora
choram
os que não foram.

Restam
as mães
os pais, irmãos
dos restos
de outros
que um dia foram
bebês.

Longe
tento esquecer
e agradeço
o terem ido juntos
a mãe, o pai
o irmão, a irmã
e o bebê.

Ao poeta

Sim,
escrevo muito poesia para contar
(as vezes o que penso sem fazer ,
as vezes o que faço sem pensar).

Mas tenho que sentir (requisito básico).
tenho que ser.

Talvez seja falta de imaginação,
mas não visto personagens
( como Fernando Pessoa dizia fazer)
e você?