01 setembro 2007
31 agosto 2007
Ei
Tô falando com você
dentro desse carro!
Não sou poste,
hidrante,
paisagem!
Acha que sou seu figurante?
Ou você é o meu?
To falando com você
que fecha o vidro ,
e finge que não vê!
Depois corre pra igreja,
pra pedir perdão.
Tarde demais!
Eu sou um anjo,
Um teste
Sua última chance,
e você não percebeu.
Toma um tiro na cara!
Toma uma bala!
A bala do anjo caído,
escolhido e excluído.
Você mereceu.
04 agosto 2007
Cotidiano
despertador
pasta de dente
pente
liquidificador
casaco
coca-cola light
(mas quero fanta uva)
sabão
ruga,
espelho
aparelho de dente
sinal vermelho
word excell
secretária eletrónica
papel
arroz, feijão
alpiste, ração
prova de recuperação
o que tem pro jantar?
nome da mãe?
nome do pai?
cpf, celular?
vem almoçar?.
pergunta, resposta
sorriso, mentira ?
estrada
poste?
hoje não...
sucrilho, yogurt
msn, orkut
sinusite, celulite
pijama, meia
onze e meia
memória cheia
delete...
Vôo 3054
Na escuridão
Bracinhos estendidos
- Cadê mamãe, papai
irmão?
Dentro
destroçados gritos
E o fogo
consome o choro
de quem não mais será
No frio que não sente
vê,
de repente
mãe, pai ,
irmão , irmã.
Adiante
avó, netas
finalmente...
- Vamos daqui
fecha os olhos despedaçados
vamos daqui, meu bebê,
pai, mãe,
irmão,
abraçados.
Lá fora
choram
os que não foram.
Restam
as mães
os pais, irmãos
dos restos
de outros
que um dia foram
bebês.
Longe
tento esquecer
e agradeço
o terem ido juntos
a mãe, o pai
o irmão, a irmã
e o bebê.
Ao poeta
Sim,
escrevo muito poesia para contar
(as vezes o que penso sem fazer ,
as vezes o que faço sem pensar).
Mas tenho que sentir (requisito básico).
tenho que ser.
Talvez seja falta de imaginação,
mas não visto personagens
( como Fernando Pessoa dizia fazer)
e você?
09 julho 2007
Ao Suicída
Tem dias como esse
em que amanheço
lembro a tua ausência
e teu silêncio de presságio.
Não mais adormeço.
Teu silêncio
tem soníferos, hipnóticos
overdoses,
barbitúricos.
Teu silêncio psicótico
tem poemas rasgados,
tem um corpo caindo
do edifício na Barra.
Tem os pulsos cortados,
tem velas acesas,
os sapatos jogados
no meio da estrada,
esse teu silêncio.
Cheira a gás de aquecedor
de apartamento em Copacabana,
cheira a manicômio,
à manchete de jornal:
"Poeta romântico
Sem razão e sem amor
Atropelado e levado
Por disco- voador"
30 junho 2007
Vira-latas
Percebi meu engano
e a verdade caiu em mim como uma pedra.
Quedei-me imóvel de assombro
e ferida:
Como não pude ver
que você não pode ser
o grande amor da minha vida?
Mas não tenho rancor.
Sempre fui enganada
- por mim mesma,
o que é pior -
Sozinha me apaixono,
abano o rabo
abandono convicções
e me dano.
Como um cão de rua
vou atrás de quem passeia
e me atropelo.
Cão de muitos donos
sem correia, sem nome.
Ninguém percebe que tenho fome.
28 junho 2007
Ao Vivo
Vou ter seu amor platônico
e seus versos
nas preliminares do sexo.
Mas olha:
tanto tesão perde o verso,
tanta prosa, perde a paixão.
E quero me derreter
nas suas mãos.
Irresoluto
Vou ao teu encontro lúcido, irredutível.
Repito comigo a decisão irrevogável.:
- Vai ser mais uma lembrança, uma impossibilidade.
Esperar tudo ou mesmo algo é mesmo muita ingenuidade.
Complicada, proibida, vespeiro, cumbuca:
Sou macaco velho, não vou nem te tocar.
Se não usar tudo que aprendi...
(as coisas que esqueci agora que te vi!)
Ondulante cilada caminha para mim.
Tua boca semi aberta agora
toda a minha retórica leva logo embora.
- E os braços
envolvendo meu pescoço
a me jugular -.
O beijo desferido, o derradeiro golpe:
Língua dolosa,
vai sugar- me pra dentro de ti.
Dissoluto, vencido enfim,
encaixo teu corpo no meu
e deixo a correnteza me levar.
De nada valeu minha lógica:
Sou teu.
12 junho 2007
Descaso
Não peço mais que venhas:
fica aí, não faz mais nada.
Deixa morrer o que pensas que é broto
mas é já árvore enraizada.

